Tiradores de Coco

"Cada coco é retirado manualmente de coqueiros

que podem atingir 25 metros de altura..."

Partindo da capital de Alagoas, Maceió, seguindo para o litoral norte do estado, o prenúncio do tema desta série já pode ser vislumbrado antes mesmo da chegada ao município de Porto de Pedras.

Muito confundido como sendo um fruto nativo da América do Sul, sua história começou há muito tempo e bem distante daqui, na Ásia, onde os coqueiros eram conhecidos como Kalpa Vriksha ou “a árvore que fornece todas as necessidades da vida” em Sânscrito.

Introduzido no Brasil no século 16, o coco foi um fruto que se adaptou perfeitamente em nossas terras, servindo para matar a sede, alimentar e também como matéria prima para ferramentas, construções e artes.

No nordeste do Brasil a região do município de Porto de Pedras é uma das grandes produtoras e distribuidoras do coco do estado de Alagoas, colocando o fruto não só em seu mercado local, sua produção também abastece principalmente as regiões de São Paulo e do Rio de Janeiro.

A predominância do coqueiro-gigante nesta região requer a mão de obra dos trabalhadores locais na colheita dos frutos. Conhecidos na região como Tiradores de Coco.

Esta atividade requer muito esforço físico e coragem, pois cada coco é retirado manualmente de coqueiros que podem atingir 25 metros de altura, o que, para os tiradores de coco, não parece ser uma tarefa difícil.

Um exímio tirador de coco chega a causar inveja, podendo escalar mais de cem coqueiros em apenas uma manhã de trabalho, período que normalmente acontecem as colheitas. Ser habilidoso nesta tarefa significa mais ganhos, isso porque um tirador de coco é recompensado por cada coqueiro escalado.

Este sistema de pagamento empregado na colheita pode gerar confusões. Por isso um "contador" é encarregado em fazer as anotações dos números de coqueiros escalados pelos tiradores, o que parece ser uma tarefa fácil comparado a escalar coqueiros altos, esta tarefa também apresenta riscos. O contador precisa estar muito atento aos gritos (que é um código) de cada tirador, que neste ponto estão espalhados num raio de dezenas de metros e quase invisíveis ao topo dos coqueiros, e então identificar e marcar ao nome do tirador o coqueiro escalado.

 

Muitos tiradores de coco trabalham simultaneamente, cada um com seu código e anotar com exatidão cada grito é uma prioridade. O valor a receber pelo trabalhador depende destas anotações.

Esta série documental transcorre por esta história, acompanhando a jornada de trabalho dos tiradores de coco que se inicia junto aos primeiros raios de sol até próximo ao meio dia, onde o conhecido calor nordestino passa a ser um castigo mesmo protegido nas sombras dos coqueiros.

Bruno Romulo - Todos os direitos reservados 

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